Abstract
Introdução: A urbanização acelerada tem sido associada ao aumento da temperatura da superfície terrestre (LST) e à redução da cobertura vegetal em áreas costeiras, com potenciais implicações para a saúde humana. Cubatão (SP), historicamente reconhecida por sua poluição industrial e por um programa de recuperação ambiental iniciado em 1983, carece de estudos que comparem formalmente sua trajetória ambiental à dos demais municípios da Baixada Santista. Objetivo: Investigar a evolução, de 1985 a 2024, de variáveis ambientais, temperatura da superfície terrestre, área urbanizada, área verde e variáveis climáticas em Cubatão, comparando com um grupo regional (Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente), para discutir os padrões observados com base na literatura sobre poluição, aquecimento urbano e saúde humana. Referencial Teórico: O estudo fundamenta-se na literatura sobre ilhas de calor urbanas e na temperatura de superfície como indicador de transformação ambiental, na trajetória histórica de industrialização e de recuperação ambiental de Cubatão, e nas evidências epidemiológicas que associam o aquecimento e a poluição a desfechos cardiovasculares, respiratórios e ocupacionais, bem como à transmissão da dengue. Método: Estudo ecológico espaço-temporal, com unidade de análise espacial em grade de 500 × 500 m (3.406 células válidas), integrando dados de temperatura de superfície (Landsat/USGS), uso e cobertura da terra (MapBiomas) e variáveis climáticas (ERA5-Land). A tendência temporal foi avaliada pelo teste de Mann-Kendall (inclinação de Sen); Cubatão foi comparado ao grupo comparador por meio dos testes de Mann-Whitney e de modelos de regressão com interação ano×grupo, ao nível de significância de 5%. Resultados e Discussão: Todos os municípios apresentaram aquecimento de superfície estatisticamente significativo (+1,21 a +1,78°C/década), com Cubatão em posição intermediária (+1,28°C/década) e sem diferença estatística em relação ao comparador quanto ao nível (p=0,23) ou à velocidade de aquecimento (p=0,63). Cubatão diferiu significativamente apenas quanto à menor proporção de área urbanizada (p<0,001) e apresentou o maior ganho de área verde da região (+0,88 p.p./década). Esses achados, ao serem analisados juntamente com a literatura sobre saúde ambiental, indicam que o risco do aquecimento é fenômeno regional, não ficando restrito a Cubatão. Além disso, a recuperação ambiental parcial do município pode atuar como uma espécie de proteção térmica extra, oferecendo uma esperança de melhora na situação. Conclusão: A Baixada Santista apresenta aquecimento de superfície generalizado associado à urbanização regional. Cubatão não se destacou como o município mais afetado, o que sugere uma recuperação ambiental parcial e mensurável. Recomenda-se a integração futura de dados primários de morbimortalidade para testar diretamente as hipóteses de associação entre o ambiente e a saúde aqui formuladas.
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